Capítulo 15 de 28 · linguagem simples
Fora da caridade não há salvação
A caridade como caminho universal de transformação moral.O que é preciso para ser salvo. Parábola do bom samaritano - O maior mandamento - Necessidade da caridade segundo São Paulo - Fora da igreja não há salvação. Fora da verdade não há salvação - Instruções dos Espíritos: Fora da caridade não há salvação.
O que é preciso para ser salvo. Parábola do bom samaritano
1. “Ora, quando o Filho do Homem vier em Sua majestade, acompanhado de todos os anjos, sentar-se-á no trono da Sua glória, com todas as nações reunidas diante Dele, e separará uns dos outros, como um pastor separa os cabritos e as ovelhas e colocará as ovelhas à direita, e os cabritos à esquerda. E o Rei dirá àqueles que estiverem à Sua direita: - Venham, vocês que têm sido abençoados pelo meu Pai, possuí o reino que lhes foi preparado desde a origem do mundo, pois Eu tive fome e me deram de comer; tive sejam e me deram de beber; era hóspede e me abrigaram; estive nu e me vestiram; estive doente e me visitaram; estive na prisão e me foram ver. E os justos Lhe responderão: - Senhor, quando Te vimos com fome e Te demos de comer? ou sedento e Te demos de beber? Quando foi que Te vimos desabrigado e Te hospedamos? Ou nu e Te vestimos? E quando Te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar- Te? E o Rei lhes responderá: - Na verdade Eu lhes digo, todas as vezes que têm feito tal coisa em relação a um deram meus pequenos irmãos, foi a mim mesmo que o fizeram. Ele dirá, em seguida, àqueles que estarão à esquerda: - Afastem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, que está aparelhado para o diabo e os seus anjos, pois tive fome e não me deram de comer; tive sejam e não me deram de beber; era hóspede e não me abrigaram; estava nu e não me vestiram; estive doente e na prisão e não me visitaram. Então, eles Lhe responderão também: - Senhor, quando é que Te vimos com fome, sejam ou desabrigado, nu, doente ou na prisão, e deixamos de Te assistir? Mas Ele lhes responderá: - Eu lhes digo, na verdade, que todas as vezes que não deram assistência a um deram mais pequeninos, a mim o deixaram de fazer. E,
então, irão para o suplício eterno, e os justos terão a vida eterna.” (Mateus, XXV:31-46)
2. “Tendo um doutor da lei se levantado, disse para tentá-Lo: - Mestre, o que eu preciso fazer para conseguir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: - O que está escrito na lei? O que nela lês? Ele respondeu: - Amarás o Senhor seu Deus de todo o coração, de toda a sua alma, com todas as suas forças e de todo o seu entendimento, e ao seu próximo como a você mesmo. E Jesus lhe disse: - Respondeste bem, faze isso e viverás. Mas esse homem, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: - E quem é o meu próximo? - E Jesus, tomando a palavra, lhe disse: Um homem que descia de Jerusalém a Jericó, caiu nas mãos de ladrões que o despiram, e depois de o terem maltratado com muitas feridas, se foram, deixando-o quase morto. Em seguida, um sacerdote desceu pelo mesmo caminho e tendo-o visto, não parou. Um levita, que vinha também por ali, chegando junto daquele lugar, também foi embora. Mas um samaritano, que viajava, que ia a seu caminho e tendo-o visto, foi tocado de compaixão; se aproximou dele, derramou azeite e vinho em suas feridas, e lhe fez curativos. E tendo-o colocado sobre o seu
cavalo, levou-o a uma estalagem, e cuidou dele. Noutro dia, tirou dois denários e os entregou ao estalajadeiro, dizendo: - Cuida bem deste homem e tudo o que gastardes a mais eu lhes pagarei quando voltar. “Qual deram três lhes parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? O doutor respondeu: Aquele que usou de misericórdia com ele. - Vai,
então, disse-lhe Jesus, e faze você o mesmo.” (Lucas, X: 25-37)
3. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os Seus ensinamentos, Ele mostra essas virtudes como o caminho da eterna felicidade. “Bem-aventurados”, diz Ele, “os pobres de espírito”, ou seja, os humildes, “porque o Reino dos Céus lhes pertence; Bem- aventurados os que têm o coração puro, Bem-aventurados os que são mansos e pacíficos,
Bem-aventurados os que são misericordiosos. Amem o seu próximo como a vocês mesmos, façam aos outros o que gostariam que lhes fizessem; amem os seus inimigos, perdoem as ofensas, se quiserem ser perdoados; façam o bem sem exibição; julguem-se a vocês mesmos, antes de julgarem os outros”. Humildade e caridade é o que Jesus não cessa de recomendar, e de que Ele mesmo dá o exemplo. Orgulho e egoísmo é o que não cessa de combater. Mas Ele faz mais do que recomendar a caridade, Ele a coloca nitidamente, e em termos explícitos, como condição absoluta da felicidade futura. No quadro que Jesus apresenta, do juízo final, como em muitas outras coisas, é preciso diferenciar a figura da símbolo. A homens como aos que falava, ainda incapazes de compreender as coisas puramente espirituais, Ele precisava apresentar imagens materiais, surpreendentes e capazes de impressionar. Para que fossem mais bem aceitas, não deveria afastar-se das ideias em voga, quanto à forma, reservando sempre para o futuro a verdadeira interpretação das Suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há a ideia predominante: a da felicidade que aguarda o justo e a da infelicidade reservada ao mau. Nesse julgamento supremo, quais são os considerandos da sentença? Sobre o que se baseia a inquirição? O juiz pergunta se foram atendidas estas ou aquelas formalidades, observadas mais ou menos estas ou aquelas práticas exteriores? Não, Ele apenas pergunta por uma coisa: a prática da caridade. E se pronuncia dizendo: “Vocês que socorrestes os seus irmãos, passem à direita; os que foram duros para com eles, passem à esquerda”. Ele interroga sobre a ortodoxia da fé? Faz distinção entre aquele que crê de uma maneira e o que crê de outra? Não, pois Jesus coloca o samaritano, visto como herege - mas que tem amor ao próximo - acima do ortodoxo, a quem falta a caridade. Jesus não faz da caridade apenas uma das condições de salvação, mas a única condição. Se houvessem outras a preencher, Ele as mencionaria. Se Ele situa a caridade no primeiro patamar das virtudes, é porque ela encerra implicitamente todas as outras: a
humildade, a mansidão, a bondade, a compreensão, a justiça etc., e porque ela é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.
O maior mandamento
4. “Os fariseus, tendo percebido que Ele tinha calado os saduceus, surpreenderam-se, e um deles, que era doutor da lei, veio Lhe fazer essa pergunta, tentando-o: - Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: - Amarás o Senhor seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. E aqui está o segundo, semelhante a este: Amarás ao seu próximo como a você mesmo. Toda a lei e os profetas estão encerrados nesses dois mandamentos.” (Mateus,
XXII:34-40)
5. Caridade e humildade, esta é a única via de salvação; egoísmo e orgulho, a da perdição. Esse princípio é formulado em termos precisos nestas palavras: “Amarás a Deus de toda a sua alma, e ao próximo como a você mesmo; toda a lei e os profetas estão contidos nestes dois mandamentos”. E para que não haja equívocos sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, Ele acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento, semelhante ao primeiro”, ou seja, que não se pode amar verdadeiramente a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus, assim, tudo o que fizermos contra o próximo, é também contra Deus que se faz. Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos nesta máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO.
Necessidade da caridade
segundo São Paulo
6. “Se eu falar a língua dos homens e dos anjos, e não tiver a caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profetizar, e conhecer todos os mistérios, e tiver a perfeita ciência de todas as coisas; se eu tiver ainda toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se eu não tiver a caridade, eu nada serei. E se eu tiver distribuído meus bens para alimentar os pobres e deixado meu corpo para ser queimado, se, porém, eu não tiver caridade, tudo isto de nada me aproveita. “A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária e precipitadamente, ela não se envaidece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não se alegra com a injustiça, mas sim com a verdade. Tudo suporta, tudo crê, tudo espera e tudo sofre. A caridade nunca, jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar as profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a Ciência. Agora, pois, permanecem estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade; mas entre elas, a maior é a caridade.” (Paulo, I Coríntios, XIII:1-7 e
13)
7. São Paulo compreendeu tão profundamente esta grande verdade, que disse: “Se eu falar a língua dos anjos, se tiver o dom da profecia, e conhecer todos os mistérios; se tiver toda a fé possível, para transportar montanhas, mas não tiver a caridade, nada serei. Entre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a maior delas é a caridade”. Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima da própria fé. Porque a caridade está ao alcance de todos, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre; e porque ela é independente de toda crença particular. E faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a, não apenas na ajuda ao próximo, mas no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na bondade em relação ao próximo.
Fora da igreja não há salvação.
Fora da verdade não há salvação
8. Enquanto a máxima: “Fora da caridade não há salvação”, apoia-se sobre um princípio universal, abrindo a todos os filhos de Deus o acesso à felicidade suprema, o crença considerada incontestável: Fora da Igreja não há salvação, apoia-se, não sobre a fé fundamental em Deus e na imortalidade da alma, fé comum a todas as religiões, mas sobre a fé especial em crenças consideradas incontestáveis particulares. É, portanto, exclusivista e absoluto. Em vez de unir os filhos de Deus, ela os divide, no lugar de levá- los ao amor fraterno, mantém e acaba por legitimar a hostilidade entre os integrantes de uma grupo religioso de diferentes religiões, que se consideram reciprocamente malditos na eternidade, sejam parentes ou amigos neste mundo. Desconhecendo a grande lei de igualdade perante o túmulo, separa-os até no campo santo. A máxima “Fora da caridade não há salvação” é a consequência do princípio de igualdade diante de Deus e da liberdade de consciência. Com esta máxima por regra, todos os homens são irmãos, e qualquer que seja a maneira de adorar o Criador, eles se dão as mãos e oram uns pelos outros. Com o crença considerada incontestável “Fora da igreja não há salvação” anatematizam-se, perseguem-se e tornam-se inimigos mútuos. O pai não ora mais pelo filho, nem o filho pelo pai, nem o amigo pelo amigo, desde que se julguem, reciprocamente condenados, sem remissão. Esse crença considerada incontestável é,
então, essencialmente contrário aos ensinamentos do Cristo e à lei evangélica.
9. “Fora da verdade não há salvação” seria o equivalente a Fora da Igreja não há salvação e também exclusivista, pois não há uma só grupo religioso que não pretenda ter o privilégio da verdade. Qual é o homem que pode se gabar de possuí-la inteiramente, já que o círculo dos conhecimentos cresce sem cessar, e a cada dia que passa as ideias são retificadas? A verdade absoluta só é conhecida pelos Espíritos mais elevados, e a Humanidade terrestre não pode pretendê-la, pois não lhe é dado saber tudo. Ela somente aspira a uma verdade relativa, e proporcional ao seu grau evolutivo. Se Deus tivesse feito, da posse da verdade absoluta, a
condição expressa da felicidade futura, isso equivaleria a um decreto de proscrição geral, enquanto a caridade, mesmo em sua mais ampla acepção, pode ser praticada por todos. O Espiritismo, de acordo com o Evangelho, admitindo que a salvação independe da forma de crença, desde que sigamos a lei de Deus, não estabelece: “Fora do Espiritismo não há salvação”, e como não pretende ensinar ainda toda a verdade, não diz também: “Fora da verdade não há salvação”, máxima que dividiria em vez de unir, e que perpetuaria o oposição.
Instruções dos Espíritos
Fora da caridade não há salvação
Paulo, o Apóstolo - Paris, 1860
10. Meus filhos, na máxima: “Fora da caridade não há salvação”, estão contidos os destinos dos homens na Terra e no Céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte, eles viverão em paz; no Céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor. Esta divisa é a bandeira celeste, a coluna luminosa que guia o homem no deserto da vida, para conduzi-lo à Terra Prometida. Ele brilha no céu como uma auréola santa na fronte dos eleitos, e na Terra está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: “Passem à direita, benditos de meu Pai”. Vocês os reconhecerão pelo perfume de caridade que espargem ao seu redor. Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nada resume melhor os deveres do homem do que esta máxima de ordem divina. O Espiritismo não poderia provar melhor a sua origem do que tendo-a por regra, pois ela é o reflexo do mais puro Cristianismo. Com tal guia, o homem não se perderá nunca. Apliquem-se, meus amigos, em compreender-lhe o sentido profundo e as consequências de sua aplicação, e a buscar, por vocês mesmos, todas as maneiras de aplicá-la. Submetei todas as suas ações ao controle da caridade, e a sua consciência lhes responderá. Ela não apenas evitará que façam o mal, como também lhes fará que pratiquem o bem, pois não basta uma virtude negativa, é necessária uma virtude ativa. Para fazer o bem, é preciso sempre a ação da vontade, mas para não fazer o mal, bastam frequentemente a inércia e a negligência. Meus amigos, agradeçam a Deus, a possibilidade de usufruirdes da luz do Espiritismo. Não porque somente os que a possuem serão salvos, mas porque ajudando- se a melhor compreender os ensinamentos do Cristo, ela lhes torna melhores cristãos. Façam, então, que as pessoas, lhes vendo, possam dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, pois todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, independente do prática religiosa ao qual pertençam.